A alta foi de de 21% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged)

Após surpreender em janeiro, o mercado formal de trabalho manteve-se em um viés positivo em fevereiro, com a criação de 306.311 empregos. Esse resultado representa um aumento de 21,3% em relação a fevereiro de 2023, quando foram abertas 252.487 vagas com carteira assinada, considerando os dados ajustados (declarações das empresas sobre admissões e demissões após o prazo).

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) foram divulgados nesta quarta-feira (27) pelo Ministério do Trabalho, superando as expectativas dos analistas do mercado financeiro.

Em janeiro, foram gerados 168.503 postos de trabalho, o dobro do saldo registrado no mesmo período do ano anterior. No acumulado do primeiro bimestre deste ano, já foram criados 474.614 empregos.

Dentre esses números, 268.908 empregos foram registrados no setor de serviços. A indústria ficou em segundo lugar, com 120.004, seguida pela construção civil, que gerou 81.774 postos, e a agropecuária, com 25.751. Por outro lado, o setor de comércio registrou o fechamento de 21.824 vagas.

Economia em aquecimento

A forte geração de empregos em fevereiro indica um mercado de trabalho dinâmico e sugere um crescimento econômico mais robusto, o que pode levar a revisões positivas nas projeções para o desempenho da economia brasileira em 2024.

Após a divulgação desses dados nesta quarta-feira (27), a LCA Consultores elevou sua estimativa de criação de empregos formais em 2024 para 1,5 milhão de vagas adicionais, em comparação com a projeção anterior de 1,2 milhão. A equipe de economistas da corretora Genial Investimentos também revisou para cima suas expectativas, prevendo agora um saldo positivo de 1,3 milhão de empregos formais para este ano, em comparação com 1,1 milhão anteriormente.

Em um relatório, os economistas da XP Investimentos destacaram que “o mercado de trabalho formal continua a surpreender positivamente e deve impulsionar a demanda doméstica”. Eles afirmaram ainda que “o sólido crescimento do emprego e dos salários reais são os principais impulsionadores por trás de nossa projeção de expansão de 2,5% para o consumo das famílias este ano”.

Pressão no Banco Central

Ao comentar sobre os dados do Caged, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, enfatizou o fato de o país já ter gerado quase meio milhão de empregos no início deste ano e colocou pressão sobre o Banco Central (BC). Ele expressou sua crença de que março também apresentará resultados positivos e projetou uma geração de empregos superior a 2 milhões em 2024, desde que o BC permita.

Que o BC não restrinja o mercado de trabalho, deixa ele crescer. Tenha responsabilidade para colaborar para que a economia continue crescendo

ministro do Trabalho, Luiz Marinho

Desde agosto, o Banco Central (BC) vem gradualmente reduzindo a taxa básica de juros (Selic), em resposta a uma melhora nos indicadores de inflação. Na reunião deste mês, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por mais um corte de 0,5 ponto percentual, levando a Selic para 10,75% ao ano. Esse ciclo de redução nos juros teve início quando a taxa estava em 13,75% ao ano.

No entanto, ao anunciar esse corte mais recente, o Copom também indicou que pretende diminuir o ritmo das reduções nos juros em suas próximas reuniões. Uma desaceleração no ritmo de queda da Selic tem o potencial de amortecer o estímulo que o crédito poderia fornecer à demanda e, consequentemente, ao crescimento econômico.

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